Segunda-feira, 3 de Março de 2008

*Monumentos*

MUSEUS

 

Museu Municipal de Etnografia e História

Encontra-se instalado num edifício brasonado da segunda metade do século XVIII, classificado como Imóvel de Interesse Público, conhecido por Solar dos Carneiros, e que sofreu, ao longo dos anos, várias alterações de estrutura e pormenor.
Fundado em 1937 pelo etnógrafo poveiro António dos Santos Graça (1882-1956), este é um Museu com especial valor etnográfico, possuindo uma grande colecção sobre a original Comunidade Piscatória Poveira.

Rua Visconde de Azevedo, tel. 252 616 200
Museu Municipal
Terça-feira a Domingo 10h00/12h30 – 14h30/18h00



Pólo Museológico de S. Pedro de Rates



Adequando-se ao local e ambiente, este pólo do Museu Municipal dedica-se à preservação e divulgação da história, lenda, arte e arqueologia da Igreja Românica de S. Pedro de Rates

Largo Conde D. Henrique
Tel. 252 957 034
Museu Municipal
Terça-feira a Domingo 09h30/13h00 – 14h00/17h30

 

Pólo Museológico da Cividade de Terroso

Este edifício dispõe de um pequeno auditório/sala de projecções e uma área de recepção onde se faz uma breve apresentação do espaço da Cividade de Terroso, uma das mais importantes estações arqueológicas da Cultura Castreja no Noroeste Peninsular.

Rua da Cividade de Terroso
Tel. 252 692 515
Museu Municipal
Terça-feira a Sábado 09h00/13h00 – 15h00/17h00

 

 

MONUMENTOS

Igreja Românica de Rates
(séc. XII/XIII - Monumento Nacional)

 

Este templo teve na sua origem uma capela modesta da época da Reconquista que foi reedificada nos finais do séc. XI, por iniciativa de D. Henrique e de D. Teresa. O edifício condal conhece novos voos no tempo de D. Afonso Henriques, quando se inicia a construção da actual igreja no séc. XII, tendo as obras terminado um século mais tarde. É um apreciável exemplo do estilo românico do nosso país. De construção pesada, feita de granito, tem poucas aberturas, uma delas, a rosácea, na parte superior da fachada.

Pároco de S. Pedro de Rates
Mosteiro
4570 Rates
Tel: 252 951 236 

Aberto ao culto diariamente – entrada gratuita



Pelourinho e Antigos Paços do Concelho de Rates

(séc. XVI - Monumento Nacional; Séc. XVIII)
Povoado antigo, nasceu e cresceu à sombra do Mosteiro aí fundado pelo Conde D. Henrique, no ano de 1100. Renovado o foral em 1517 por D. Manuel, manteve a sua independência autárquica até à reforma administrativa de 1836, sendo então integrado no concelho da Póvoa de Varzim. A atestar o seu passado autónomo o Pelourinho (Monumento Nacional) e os Antigos paços do Concelho (1755).

 

Pelourinho da Póvoa / Praça do Almada

(séc. XVI - Monumento Nacional; Séc. XIX)
É constituído por uma coluna de pedra, assente sobre degraus, tendo no alto do fuste a esfera armilar, emblema do Rei D. Manuel I que renovou o foral à Póvoa de Varzim, em 1514, única peça do primitivo pelourinho erigido naquele ano e reconstruído em 1854.
Está implantado na Praça do Almada, zona nobre por excelência, circundada por um conjunto arquitectónico de elevado apuramento estético, onde ao granito que faz a marcação da fachada se acrescentam os azulejos, o ferro forjado...

 

Aqueduto

(séc. XVIII - Monumento Nacional)
Construção de 999 arcos que transportava a água das nascentes de Terroso para o mosteiro de Santa Clara, em Vila do Conde. Construído de 1705 a 1714, atravessa as freguesias de Beiriz e Argivai.

 

 

Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição

(séc. XVIII - Imóvel de interesse Público)
Edificada no local onde outrora o existiu o «Forte de Torrão» (já referenciado em 1685), a sua construção, que visava a defesa dos ataques de pirataria, iniciou-se no reinado de D. Pedro II, em 1701, mas só seria concluída com D. João V, em 1740. Foi baptizada com o nome de Imaculada Conceição, cuja imagem se venera numa pequena capela, de abóbada de cantaria e retábulo de talha dourada.
Possui um traçado pentagonal, compõe-se de 4 baluartes ligados pelas respectivas cortinas de muralhas.
Actualmente, é utilizado como quartel da Brigada Fiscal da G.N.R., o que condiciona a visita ao seu interior.

 

Igreja Matriz

(séc. XVIII - Imóvel de interesse Público)
Construção iniciada em 1743 e terminada em 1757, este é o templo mais antigo e significativo da cidade e marca a consolidação do crescimento do povoado. Esta igreja barroca ostenta, nos seus vários altares, uma talha dourada «Rocaille» impressionantemente rica.

Pároco da Matriz
Rua da Igreja, 28 – 1.º
4490-517 Póvoa de Varzim
Tel: 252 614 818 

Aberto ao culto diariamente – entrada gratuita

 

Paços do Concelho

(séc. XVIII - Imóvel de interesse Público)
A sua construção marca na Póvoa de Varzim a esclarecida reforma urbanística do Corregedor Francisco de Almada e Mendonça.
A arcada da frontaria, desenhada em 1790/91 pelo Engenheiro francês Reinaldo Oudinot, sugere a estrutura arquitectónica e decorativa da Feitoria Inglesa do Porto. Foi inaugurado em 28 de Dezembro de 1807. Entre 1908/10 sofreu profundas obras de ampliação e decoração orientadas pelo etnólogo Rocha Peixoto e pelo pintor belga Joseph Bialman: torre e azulejamento interior e exterior do edifício.
Durante o ano de 1988, o seu interior foi totalmente beneficiado e reestruturado.

 

Capela de Nossa Senhora das Dores

 


 

 

(séc. XVIII - Imóvel de interesse Público)
Este templo de formato pentagonal e estilo barroco, ancorado a nascente do largo, data dos finais do século XVIII, embora só em 1866 tenha adquirido o aspecto actual com a conclusão das 6 pequenas capelas circundantes.
Representadas por esculturas de tamanho natural, estão aqui ilustradas seis dores de Nossa Senhora, estando a sétima no próprio altar-mor. 


Aberto ao culto diariamente – entrada gratuita

 

 

Arqueologia

 

Cividade de Terroso (Imóvel de Interesse Público)

Situa-se numa elevação com cerca de 153 m de altitude, onde se regista um longo período de ocupação (séc. VIII a.C. – séc. III d.C.) e que forneceu já importantes elementos de estudo para a história dos povos castrejos e da implantação romana. A sua descoberta e escavação deu-se nos inícios do século XX pela mão de Rocha Peixoto e, desde 1980, vêm-se realizando trabalhos arqueológicos tendentes à sua escavação, estudo e valorização. No Museu Municipal existe um “Núcleo de Arqueologia” onde está em exposição o espólio mais significativo desta estação arqueológica.

 

Monte de S. Félix

Este é o ponto mais elevado da Serra de Rates, 202 m de altitude. Daí se pode admirar a poente, a planície litoral com o oceano a emoldurar o horizonte e, a nascente, a ondulada e verdejante região interior.
No sopé deste maravilhoso miradouro, encontra-se a igreja de Nossa Senhora da Saúde e, no cume, moinhos, alguns deles transformados em residência de férias, para além da capela de Santo André e da Estalagem do mesmo nome.

 

Campos de Masseira

Forma inteligente de aproveitamento das dunas onde, em pequenas explorações, praticando-se uma cultura intensiva, se obtêm excelentes produções hortícolas.
Na zona de Aguçadoura e Estela, os agricultores cavaram a duna até próximo do nível freático (lençol de água) - o que permite um grau de humidade mais ou menos constante ao longo do ano - e modelam o campo em forma de masseira ou gamela. Nos valados cultiva-se a vinha. Com este rebaixamento de alguns metros consegue-se uma protecção dos ventos marítimos, reforçada por sebes, de que resulta um aumento térmico. Estes dois factores aliados (humidade e temperatura) fazem com que funcionem como uma espécie de estufa.

 

 

Local de Peregrinação

Beata Alexandrina de Balasar
Alexandrina Maria da Costa é natural de Balasar, onde nasceu a 30 de Março de 1904 e aí faleceu, com fama de santidade, a 13 de Outubro de 1955. É conhecida em todo o país por “Santinha de Balasar” e a sua beatificação ocorreu em 25 de Abril de 2004. 
Durante a sua vida foram muitos os “peregrinos” que, através de um contacto directo, testemunharam a sua bondade e sabedoria cristã. Na actualidade, a romagem mantém-se, agora para a Igreja Paroquial, local onde se encontra o seu túmulo, e para a casa onde viveu.

 

 

Monumentos Escultóricos

Cego do Maio

Monumento, no Passeio Alegre, inaugurado em 1909 e construído por iniciativa dos poveiros no Brasil. Homenagem ao heróico pescador José Rodrigues Maio, que viveu em 1817 a 1884. Salvou mais de uma centena de vidas em naufrágios, sendo-lhe concedido, entre outros, o mais alto galardão - o colar da Ordem da Torre e Espada - que lhe foi entregue pessoalmente pelo Rei D. Luís.

 

Aos mortos da I Grande Guerra (1914-18)

Actualmente localizado na Praça Marquês de Pombal, foi inaugurado na Praça do Almada, em 1933, de onde foi transferido em 1944.
Este monumento todo em granito é da autoria do Arquitecto Rogério Azevedo e foi executado por canteiros locais.

 

Cruzeiro da Independência

No Jardim do Mercado Municipal Dr. David Alves. Inaugurado em 1940 por iniciativa do Corpo Nacional de Escuta - Núcleo “ Cego do Maio” da Póvoa de Varzim.
É construído em granito com motivos escutistas. Foi desenhado pelo Padre Aurélio Martins de Faria, desta cidade.

 

Eça de Queiroz

O grande romancista português nasceu nesta cidade, em 25 de Novembro de 1845, presumivelmente na Praça do Almada, na casa que existiu antes daquela que hoje ostenta uma placa de bronze, de Teixeira Lopes, alusiva ao acontecimento.
O monumento, de autoria do escultor Mestre Leopoldo de Almeida, foi erigido em 1952, por subscrição dos poveiros no Brasil.

 

Elísio da Nova

Monumento no Largo do mesmo nome inaugurado em 1963. Construído por iniciativa do Clube Naval Povoense o seu autor é o Arquitecto poveiro Rui Calafate. Nele foi colocada a efígie do homenageado, em bronze, da autoria do Escultor Lagoa Henriques, oferta do Ministério da Marinha e que figura, igualmente, em todas as estações rádio-navais da marinha portuguesa.
Elísio Martins da Nova foi telegrafista do caça minas “Augusto de Castilho” tendo morrido no seu posto, em combate contra um submarino, na guerra de 1914/18. Nasceu nesta cidade em 28 de Agosto de 1896 e possuía diversas condecorações.

 

Vasques Calafate

Na praceta em frente à Capitania do Porto.
Autor do projecto e da escultura, seu filho, arquitecto Rui Calafate.
Professor e jornalista poveiro, viveu de 1890 a 1963. Distinguiu-se na Campanha para a conclusão das obras do porto de pesca. Monumento construído por contribuição dos pescadores poveiros, agradecidos, em 1965.

 

Marco Comemorativo do Milénio

Localizado numa placa central no ponto de união entre a Avenida Mousinho de Albuquerque e o Largo das Dores. Foi inaugurado em 25 de Março de 1973, 20 anos depois da data apropriada, pois é comemorativo dos mil anos de vida documentada da nossa terra: documento datado de 26 de Março de 953 – carta de venda de “Villa de Comité” e de “Villa Qintanela” feita por Flâmula Deo-Vota ao Mosteiro de Guimarães, na qual se refere “Villa Euracini”, futura Póvoa de Varzim.

 

Francisco Sá Carneiro

Na Praça Luís de Camões, foi erigida uma estátua por um grupo de admiradores poveiros deste estadista que foi Primeiro Ministro de Portugal desde 03 de Janeiro de 1980 até 04 de Dezembro do mesmo ano, data em que faleceu, vitima de acidente de aviação.
O bronze é de autoria do escultor Gustavo Bastos. Inaugurou-se em 6 de Dezembro de 1981.

 

Às Gentes da Póvoa

Inaugurado a 15 de Setembro de 1995, este monumento da autoria do escultor Rui Anahory pretende ser a representação do concelho como um todo, uma unidade com as suas realidades específicas e distintas: por um lado, o interior, rural, e por outro, a faixa litoral de actividade piscatória.
Construído por iniciativa do Rotary Clube da Póvoa de Varzim com a colaboração da Câmara Municipal.

S. Pedro


A escultura de Armando Coelho sofreu algumas vicissitudes. Durante anos a imagem em gesso esteve no Museu Municipal, tendo a sua passagem a bronze sido orientada por Ruy Anahory. Na noite de 28 de Junho de 1996 (noitada de S. Pedro) foi, finalmente, colocada onde melhor fica expressa a ligação entre S. Pedro e os seus devotos poveiros – sobranceira ao porto de pesca.

 

À Peixeira

O monumento, inaugurado na noitada de S. Pedro de 1997, fica sobranceiro à linha de água da enseada, no coração da área portuária e evoca a lota do peixe, sendo protagonizado por um grupo de mulheres em plena actividade. As figuras ficam parcialmente adossadas a uma parede com a qual se fundem, passando do baixo ao pleno relevo.
Este monumento da autoria de Jaime Azinheira homenageia a mulher poveira. Ela sempre teve lugar preponderante na comunidade piscatória, desenvolvendo actividades decorrentes da pesca, como a venda do peixe e reparação das redes, para além de outras diligências do quotidiano.

 

Dr. David Alves

A escultura da autoria de Margarida Santos foi inaugurada a 16 de Junho de 1999. Localiza-se no centro do antigo recinto do mercado municipal, que foi por ele inaugurado em 31 de Janeiro de 1904. A Póvoa presta assim homenagem a um grande autarca que, com a sua visão arrojada, em muito contribuiu para dar uma maior projecção urbanística à cidade.

 


publicado por Cidade Para Todos às 23:45
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*Quaresma, Páscoa e Natal*

Quaresma e Páscoa

 

A quadra da quaresma sempre foi, para o poveiro, época de arreigadas tradições e profunda religiosidade. Temente a Deus, o homem do mar da Póvoa encarava o tempo de preparação para a Páscoa com o maior respeito. Era tempo de luto e de silêncio. Até a carne era banida das suas refeições.
Cumprindo à risca os preceitos da classe, ditados pelos «homens de respeito», a partir de Terça-Feira Gorda até Sexta-Feira Santa estavam «proibidas» as cantorias e outras manifestações de alegria. Os instrumentos eram bem guardados, as roupas modestas e de cores escuras.
Quinta-Feira Santa era dia de devoção maior. Nenhum barco poveiro podia largar para a faina da pesca. À noite a família reunia-se à volta de uma ceia melhorada como se de um «Natal» se tratasse. No final, era obrigatória uma visita às igrejas. Toda a Póvoa fazia uma via-sacra pelos seus oito templos, onde se encontravam representadas «cenas de vida do Senhor» ou bonitos arranjos florais em redor do altar principal. Um típico costume poveiro que ainda hoje se mantém com o rigor do passado.

São quatro as procissões da Semana Santa: Procissão de Ramos, Procissão das Endoenças, dos Fogaréus (do Ecce Homo ou das Lanternas), Procissão do Enterro do Senhor e Procissão da Ressurreição.
Em todas elas o poveiro marcava a sua presença com um testemunho de fé exemplar. A exaltação do «Senhor», em profundo respeito e recolhimento, fazia parte da sua filosofia de vida. Deus está presente em todo o seu quotidiano. É Ele que o salva em dias de tempestade, é Ele que o guia por entre vagas alterosas, é Ele que o protege do mau-olhado. Daí que a Semana Santa, lembrando-lhe o Monte das Oliveiras e o Calvário, toque profundamente o seu carácter de devoto extremo!
A noite de Sábado de Aleluia era dedicada à Queima dos Judas. Para alegria dos pequenos «ratos-de-água», um pouco por todo o lado, montavam--se cadafalsos com um boneco a fingir de Judas Iscariote com a saca dos trinta dinheiros na mão. À meia-noite o povo queimava-o ao jeito de vingança eterna. Antes, porém, um poeta atrevido lia um testamento em quadras populares, onde a vizinhança saía contemplada com alguns chistes a propósito.

Também pela meia-noite de sábado, saíam da igreja Matriz dezenas de rapazes com campainhas na mão. Mal soava o repique dos sinos anunciando a ressurreição do Senhor, saíam eles, ruas fora, tilintando as pequenas sinetas e gritando em coro Aleluia! Aleluia! Aleluia!
No Domingo de Páscoa a Póvoa transformava-se. O homem triste, de luto carregado, surgia como a pessoa mais feliz do mundo. Roupa nova, com fato a estrear. Casa esfregada de alto a baixo com sabão amarelo. Música à porta. Janelas abertas de par em par. Garotada na rua, de regueifa ao pescoço, como prenda maior do padrinho. Por todo o lado jogava-se a péla, um jogo tipicamente poveiro.

Pela manhã, da igreja Matriz, saía a Procissão da Ressurreição. Um cortejo solene com todas as cruzes do compasso e um figurado rico. A visita do compasso estava reservada para a tarde. Uma visita do Senhor obrigatória a cada lar poveiro, que recebia a cruz com toda a solenidade por entre um tapete de flores. Este ritual era, para a Póvoa, a essência da quadra Pascal. Uma manifestação de fé e de crença que o homem do mar aprendeu a respeitar e jurou preservar pela vida fora.

Paralelamente a estas manifestações religiosas, o poveiro mantinha tradições pascais de cunho popular que, até hoje, o tempo conservou, tais como a Serra-essa-velha, o jogo da péla, a confecção das lanternas para a procissão dos Fogaréus, a leitura do testamento do Judas e a ida ao Anjo na Segunda-Feira de Páscoa, um gigantesco piquenique que se popularizou a partir dos anos 30 nas bouças de Argivai, quando se pretendeu promover a festa da Hera.

 


Natal

O Natal é uma época marcante na comunidade piscatória da Póvoa de Varzim. Tempo de encanto, de alegria e tradições muito próprias, de grande significado para a gente do mar.
Ainda o Natal vinha longe e já o rapazio se perdia na compra de bonecos de barro (chamados de pastorinhos), recolha de musgo (conhecido por burriço) pelos muros, confecção de castelos, pontes e moinhos de papelão, peças indispensáveis para um presépio que levava a semana inteira a ser montado, geralmente no quarto da frente, perto da janela virada para a rua, para que toda a gente do bairro admirasse a obra.

Depois, em grupo, os miúdos vizinhos, de remendos nas calças, boina enfiada e camiseta aos quadrados, ensaiavam no fundo do quintal as Cantigas ao Menino ou Versos ao Menino Jesus (não era vulgar chamar-se Cantar as Janeiras), com reco-reco, ferrinhos, castanholas, pinhas secas, pandeiros e testos. Eram os preparativos para a noite de consoada ou noite de ceia (Natal) onde toda a família se reunia, esquecendo zangas ou divergências antigas.
A ceia, uma mistura de prazer da mesa e culto religioso, era um festival permanente de boa disposição, de cantorias e recordações. Lembravam-se vivos e mortos, com algumas orações a preceder a refeição maior.

Para o pescador poveiro, na noite de consoada, o ruivo e o peixe seco eram pratos «obrigatórios». Toda a gente comia no chão e geralmente na cozinha, onde a lenha do fogão servia de aquecimento central.

O Pai Natal era, ainda, um desconhecido e a troca de prendas não entrava nos hábitos da gente da pesca. De árvores enfeitadas, não há qualquer testemunho.
Para os mais novos a grande prenda era a sobremesa. Esperavam, com ansiedade, os pratos de aletria e rabanadas, doces típicos (e únicos) do Natal poveiro. No final, distribuíam-se figos, nozes e pinhões, complementos indispensáveis na Ceia do Senhor, utilizados no jogo do rapa, disputado em grande algazarra por toda a família.

Acabada a Ceia, os grupos de Cantigas ao Menino, muitas vezes acompanhados por familiares, percorriam o bairro cantando de porta em porta. Em cada paragem perguntavam: - Vai ou não vai? Se alguém respondia «vai», ouvia-se, de imediato, o «concerto» de ferrinhos e reco-reco. Como recompensa, o dono da casa oferecia castanhas, figos, rebuçados ou algumas (poucas) moedas.
A Noite do Menino ou de Consoada prolongava-se até à Missa do Galo, última etapa de uma noite especial, plena de religiosidade, de encantamento e de alegria.

Maria Gabriela Azevedo


publicado por Cidade Para Todos às 23:43
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*Campos de Masseira*

Campos de Masseira

 

Nas freguesias da Estela e Aguçadoura existe um modo de agricultura único no mundo e em riscos de extinção - os "campos de masseira". As masseiras consistem numa cova larga e rectangular nas largas praias e arenosas da região. Nos cantos da cova, conhecidos como os "quatro vales", são cultivadas vinhas, de forma a proteger a área central da areia lançada pelo vento do Norte (a célebre Nortada, um vento típico da Póvoa), as uvas são amadurecidas pelo calor da areia produzindo assim bom vinho. Ao contrário do que se poderia supor, no fundo da cova encontra-se água doce, e tudo pode ser cultivado; porém, são necessárias grandes quantidades de água e de sargaço para que o que é cultivado medre.


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*Folclore*

Folclore

Tradicionalmente, no concelho da Póvoa de Varzim, apesar da sua pequena dimensão, podemos detectar diferentes tipos humanos; diversos usos e costumes, fruto de vários condicionalismos geográficos e actividades económicas.
A partir da pesca e da agricultura combinaram-se três formas de subsistência: o ancoramento ribeirinho do pescador poveiro que tem a pesca como actividade exclusiva; a fixação na orla marítima do seareiro de Aver-o-Mar e Aguçadoura que granjeava no mar e em terra e, por fim, a sedentarização do lavrador, enraizada em solo firme.
O traje é o elemento externo onde mais facilmente se notam as particularidades de cada zona. A forma de vestir do pescador poveiro destaca-se pela sua originalidade - o traje de branqueta, apresentado pelo Grupo Folclórico Poveiro, é somente um dos muitos e interessantes modos de trajar da "colmeia" piscatória. Nas outras duas comunidades sentem-se as influências minhotas e maiatas.
Nas danças e cantares, tanto nas chulas, malhões e viras, como nas danças de roda do poveiro, o suporte instrumental é, com ligeiras diferenças, o mesmo: a concertina, o acordeão, a viola, o cavaquinho, os ferrinhos, o reco-reco e o bombo.
No Folclore reflectem-se aspectos da vida quotidiana. Talvez por isso, os povos da beira-mar exibem danças mais vivas, como que condicionados pelo incessante rumor das águas e elevem pouco os braços, invocando talvez o alar das redes; enquanto que o lavrador projecta bem os membros superiores para cima, lembrança, quiçá, das fatigantes mas "altivas" malhadas.
São muitos os agrupamentos folclóricos no concelho, praticamente cada freguesia tem o seu grupo representativo. O mais antigo é o "Grupo Folclórico Poveiro" fundado em 1936 por António dos Santos Graça.

 

Traje de Branqueta

Os pares que o formam envergam os trajes que correspondem ao de romaria da Classe Piscatória Poveira no final do século XIX, usados quando os pescadores poveiros se dirigiam aos centros de peregrinação, para cumprir as promessas que faziam em momentos de perigo ou de doença grave.

A grave tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892 que, ao vitimar grande número de pescadores poveiros, afogou a Póvoa no luto da viuvez, orfandade e familiar levou ao desaparecimento dos trajes garridos da comunidade piscatória.
Em 1936, com a fundação do Rancho Folclórico Poveiro, este vistoso traje foi recuperado, constituindo a indumentária do Grupo.
Os homens envergam as características camisolas poveiras, de lã branca, bordadas a ponto de cruz, com motivos marítimos, as calças são de branqueta, enfaixada, a cabeça cobre-se com um típico “catalão” vermelho, forrado a branqueta, e calça meias de algodão com “berloques” e chinelos de cabedal amarelo.
As mulheres vestem camisa branca e colete vermelho, apertado com atacadores, saia de branqueta, comprida e bastante rodada sobre um saiote vermelho de branqueta, à volta da cinta, para arregaçar as saias, um ourelo (cordões de lã) de cores diversas, pelas costas traçam um xaile branco e cobrem a cabeça com lenço de merino, de cores garridas. Ao pescoço usam ricos cordões de ouro nos quais penduram lindos crucifixos. Calçam meias de algodão, rendas e chinelos de verniz preto, arrebitados no bico, característica local.

Grupos Folclóricos

Grupo Folclórico Poveiro

Foi fundado em 24 de Junho de 1936, pelo etnógrafo poveiro António dos Santos Graça, com a finalidade de manter vivos os trajes, danças e cantares dos pescadores.
Representa a região etnográfica do Douro Litoral.

Ao longo da sua actividade o Rancho Poveiro, como é conhecido, dançou por todo o Portugal, desde o Minho ao Algarve, em Espanha, França, Suíça, Brasil e Bélgica.
Os trajes são os usados pelos pescadores da Póvoa nos finais do século XIX, e neles predomina a “branqueta” (fazenda de lã branca) nas saias e nas calças e ainda a tão famosa camisola de lã branca, bordada a ponto de cruz com motivos marítimos, que as raparigas ofereciam aos namorados.

As chulas, os viras e as danças de roda são as mais tradicionais.

A tocata é formada por acordeões, violas, cavaquinhos, bombo e ferrinhos.
Desde a sua fundação, o Rancho Poveiro está sob a responsabilidade da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, representando um dos principais factores de promoção e animação turística e de cultura popular.
O Grupo Folclórico Poveiro de raiz piscatória, encontra-se filiado na Federação de Folclore Português.
Organiza um festival folclórico – Festipóvoa - de 2 em 2 anos (integrado nas Festas de S. Pedro finais de Junho ou início de Julho).

Grupo Folclórico Poveiro
Av. Mouzinho de Albuquerque, 166
4490-409 Póvoa de Varzim 
Tel:  Jacinto Sá (252 684 680 / 969 079 309)



Rancho Tricanas do Cidral - Matriz

O Rancho das Tricanas do Cidral fundado em 12 de Junho de 1920, renasceu em 1986, após largos anos de inactividade, através da Associação Cultural e Recreativa da Matriz.

É formado por 44 elementos, dançarinos, coro, ensaiador e tocata. A tocata é composta por acordeão, viola, saxofone, trompete, bombo e ferrinhos.
Rancho de raiz urbano, apresenta a mulher típica poveira — A Tricana.
Organiza festival de folclore na 1ª ou 2ª semana de Agosto.

Associação Cultural e Recreativa da Matriz 
Rua Dr. Flávio Gonçalves - Apartado 22
4490-614 Póvoa de Varzim 
Tel: Sr. Manuel Milhazes (Sede: 252 621 028)



Rancho Tricanas da Lapa

Fundado em 1952 na Póvoa de Varzim, renasceu em 1985, após largos anos de inactividade, através do Leões da Lapa Futebol Clube. É composto por cerca de 50 elementos que trajam segundo a época de fundação do grupo.
Rancho de raiz piscatória, apresenta a mulher típica poveira — A Tricana, e o homem veste camisa de xadrez, típico dos pescadores.
Organiza festival de folclore integrado nas celebrações de aniversário do grupo – Abril.

 

Leões da Lapa Futebol Clube
Rua Pereira Azurar, 48
4490-543 Póvoa de Varzim
Tel: Sr. José Maio (Sede: 252 627 070)



Rancho de Belém

Rancho do lugar da Giesteira, de raiz rural e de tradições populares, fundado em 1953.

Após um pequeno interregno, ressurgiu em 1990 através da Associação Desportiva Recreativa Académico de Belém.
É constituído por 42 elementos, distribuídos por dançadores, tocata, coro, solistas, ensaiador e directores. A tocata é composta por acordeões, violas, reco-reco, cavaquinho, bombo e ferrinhos.
Organiza festival de folclore no mês de Agosto.

Associação Desportiva Recreativa Académico de Belém 
Rua Almeida Brandão – Lugar da Giesteira
4490-462 Póvoa de Varzim 
Tel: Dª Manuela Fernandes (Sede: 252 613 946)



Rancho Estrela do Norte

Fundado em Junho de 1954, as suas actividades foram interrompidas entre 1958 e 1963.

Ao comemorar os 25 anos da sua fundação em 1979, o Rancho Estrela do Norte foi lembrado pela comissão de festas de S. Pedro, fazendo-o renascer. A tocata é composta por saxofone, trompete, acordeão, viola, bombo, castanholas e ferrinhos. Rancho de raiz urbano, apresenta a mulher típica poveira — A Tricana.
Desde 1986 o Rancho Estrela do Norte está agregado à Secção Cultural do Centro Desportivo e Cultural Juve-Norte.

Organiza festival de folclore na segunda quinzena de Agosto.

 

Centro de Desporto e Cultura Juve-Norte
Apartado 381
4490 Póvoa de Varzim
Tel: 252 681 872
Contacto Sr. Luís Miguel Arteiro (963 081 872)



Grupo Recreativo e Etnográfico «As Tricanas Poveiras»

Fundado em 5 de Julho de 1993, é composto por antigos componentes de Rusgas e Ranchos Populares, nomeadamente dos Bairros da Matriz, Norte e Sul, da cidade da Póvoa de Varzim. O Grupo filiado no INATEL é composto por 40 elementos, as mulheres apresentam-se predominantemente com traje de tricana, para além de outros, cópias dos originais pertença do Museu Municipal. A tocata é composta por acordeão, viola, cavaquinho, ferrinhos e bombo.
Organiza encontro de grupos de danças e cantares em Julho. 

 

Apartado 136
4490-909 Póvoa de Varzim
(Sede Social – Rua Rocha Peixoto – Antigo Quartel Militar)
Tel: Sr. António Pereira e/ou Antonieta Pereira (Sede: 252 615 713, depois das 22h00)



Grupo de Danças e Cantares «As Poveirinhas»

Fundado em 25 de Março de 1995, conta com cerca de 40 elementos, apresentando-se as mulheres com o traje de tricana antigo (por vezes também o de romaria de chita). Da sua tocata fazem parte o acordeão, o trompete, viola, clarinete, tambor e ferrinhos.
Organiza festival de folclore integrado nas celebrações do aniversário – Março. 

 

Rua dos Ferreiros, 146
4490-597 Póvoa de Varzim
Tel: Dª Ondina Torrão (252 624 531)



Rancho Folclórico de S. Pedro de Rates

Rancho de raiz rural, fundado em 1970, constituído por cerca de 50 elementos. Este rancho documenta os trajes, os cantares, as danças e tradições da terra e região circundante. Quanto aos seus instrumentos musicais constam as concertinas, as violas, os bombos, os ferrinhos, os cavaquinhos. Como nota final, o Rancho Folclórico de S. Pedro de Rates encontra-se filiado na Federação de Folclore Português desde 1981, além da filiação englobada no INATEL.

Organiza festival de folclore no 3º fim de semana de Julho.

 

Associação de Amizade de S. Pedro de Rates
Rua Fonte da Cabra
4570-430 Rates
Tel: Sr. José Matias (965 723 986)



Rancho Folclórico de Santa Eulália de Beiriz

Fundado em 1979, é formado por 43 elementos. Grupo rural de feição minhota. Relativamente aos instrumentos é de destacar a concertina, o acordeão, os ferrinhos, o bombo, a pandeireta, o cavaquinho, a viola, as castanholas e o reco-reco.
Organiza festival de folclore em Agosto.

 

Associação de Amizade de Santa Eulália de Beiriz
4495 Beiriz
Tel: Dª Maria Emília Fonseca (252 696 237)



Rancho Folclórico da Casa do Povo de Aguçadoura

Fundado em 1982, é de carácter rural mas com raízes da beira-mar. Nele se destacam os trajes de “Noivos”, de “Lavradeira Rica”, de “Lavradeira Pobre” e os “Domingueiros”.
Organiza festival de folclore integrado nas Festas de Nª Srª da Boa Viagem Maio/Junho.


Casa do Povo de Aguçadoura
Rua da Praia, 186
4495-031 Aguçadoura
Tel: Sr. Manuel Gonçalves Martins «Gaspar» (252 601 251 / 252 600 090 / 968 025 098)



Grupo Folclórico de Cantares e Danças «Os Camponeses de Navais»

O Grupo Folclórico "Os Camponeses de Navais" de raiz rural nasceu em 1983 e tem desenvolvido essa actividade cultural respeitando com grande rigor os usos e costumes do povo desta Freguesia. Com a autenticidade das danças, cantares e trajes o Grupo foi integrado como membro efectivo da Federação do Folclore Português em 15 de Dezembro de 1998.
Organiza festival de folclore em Agosto. 

 

Rua do Outeiro, nº9
4495-202 Navais
Tel: Sr. José Serra Moreira (Telem. 939 063 691 / Sede 252 611 845)
E-mail: grupo.folc.navais@sapo.pt

http://www.folclore-online.com/grupos/pt/camponeses_navais/


Rancho Infantil e Juvenil «S. Miguel o Anjo»

Rancho de raiz rural, fundado em 28 de Abril de 1984, constituído por 35 elementos entre dançarinos e acompanhantes. Para além destes elementos há ainda os da orquestra constituída por acordeão, viola normal, viola braguesa, cavaquinhos, reco, castanholas, ferrinhos, pandeireta, bombo e rela, e os solistas com o coro acompanhante.
Organiza festival de folclore integrado nas celebrações de S. Miguel-o-Anjo – Setembro.

 

União Desportiva e Cultural de Argivai
Lugar do Padrão, 24
4490-203 Argivai
Tel: Sr. António Torre da Silva (251 611 745)



Rancho Folclórico das Carvalheiras de Argivai

Rancho de raiz piscatória, fundado em 1985. No vestuário predomina o preto e axadrezado (o preto simboliza o luto dos familiares mortos no mar, e o axadrezado tecido típico das camisolas, ceroulas e saias do povo do mar). As danças são compostas por cantares de entre Douro e Minho, embora adaptadas às tradições locais.

Organiza festival de folclore em Junho. 

 

Rua Sacra Família, 1259
4495-210 Argivai
Tel: Sr. Manuel Ferreira (252 614 863 / 252 616 933)



Rancho Folclórico de Aver-o-Mar

O Rancho Folclórico de Aver-o-Mar de raiz piscatória/rural, foi fundado em 13 de Novembro de 1988 e constituído por escritura pública em 20 de Julho de 1989. É uma região de Sargaceiros e Seareiros, os trajes que apresenta são essencialmente baseados no campo e na apanha de sargaço. É constituído por 40 elementos.

Organiza festival de folclore em Agosto/Setembro. 

 

Rua da Agra, 201
4495-111 Póvoa de Varzim
Tel: Sr. António Santos (252 691 803 / 966 540 941)



Rancho Infantil de Balasar

Rancho de raiz rural, fundado em 18 de Agosto de 1991, composto por cerca de 50 elementos. Este rancho sofre influências de danças e cantares de características minhotas, caldeadas com influências do Douro Litoral. Quanto aos seus instrumentos musicais é composto por concertina, acordeão, violão, braguesa, cavaquinho, bombo, ferrinhos, rela e reco-reco.

Organiza festival de folclore em Agosto. 

 

Associação Cultural de Balasar
Rua da Covilhã, 145
4570-027 Balasar
Tel: Sr. Joaquim Costa (919 701 892)



Grupo de Danças e Cantares «Os Amigos» do Centro Social e Paroquial de Terroso

Grupo de raiz rural, fundado em 28 de Março de 1993 por um grupo de amigos, com o fim de animar a Festa do Idoso desta freguesia. Em 26 de Março de 1998, foi incorporado no Centro Social Paroquial de Terroso, passando a designar-se por Grupo de Danças e Cantares “OS AMIGOS” do Centro Social Paroquial de Terroso. Este Grupo apresenta certas características do Baixo Minho.

Organiza festival de folclore no 3º Domingo de Maio. 

 

Rua da Anta, 243
4495-513 Terroso
Tel: Sr. Joaquim Pinheiro (252 691 688)



Rancho Folclórico das Lavradeiras de Santa Maria de Terroso

Rancho de raiz rural, fundado em 25 de Julho de 1993.
Houve a preocupação, por parte deste Rancho, de fazer a recolha dos instrumentos de trabalho, sendo eles: roca, fuso, dobadoura, carrela, foucinhas, malho, espadeladouro, vassoura de gesta, jiga, sarilho, vara, ancinho e sedeiro.

Organiza festival de folclore em Julho. 


Rua do Passô, nº 457
4495-582 Terroso
Tel: Sr. Manuel Moreira (252 691 198)


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*Siglas Poveiras*

Siglas Poveiras

A escrita poveira.

As siglas poveiras são uma forma de "proto-escrita primitiva", já que se trata de um sistema de comunicação visual rudimentar; devem-se a colonos Vikings que passaram o seu sistema de escrita para a população poveira há cerca de mil anos atrás. As siglas eram usadas como brasão ou assinatura familiar para assinalar os seus pertences - também existiram na Escandinávia, onde eram chamados de bomärken, e de onde esta tradição provém.

No passado, era também usado para recordar coisas como casamentos, viagens ou dívidas. Devido a isso eram conhecidas como a "escrita" poveira, sendo bastante usada porque muitos dos habitantes desconheciam o alfabeto latino, e assim as runas adquiriram bastante utilidade. Os vendedores usavam-nas no seu livro de conta fiada, sendo lidas e reconhecidas por estes tal como nós reconhecemos um nome escrito em caracteres latino. As siglas-base consistiam num número bastante restrito de símbolos dos quais derivavam a maioria das marcas familiares; estes símbolos incluíam o arpão, o coice, a colhorda, a lanchinha, o sarilho, o pique (incluindo a grade que era composta de piques cruzados). Muitos destes símbolos são bastante semelhantes aos que são encontrados no Norte da Europa e geralmente possuiam uma conotação mágico-religiosa de protecção quando pintados nos barcos.

Siglas antigas podem ainda ser encontradas na actual Igreja Matriz (Matriz desde 1757) e na Igreja da Lapa (na Póvoa de Varzim), na Capela de Santa Cruz (em Balasar), em vários locais religiosos do Noroeste Peninsular e são ainda usados de forma cada vez mais ligeira por algumas famílias de pescadores. A mesa da sacristia da antiga Igreja da Misericórdia, que serviu de Matriz até 1757, guardava em si milhares de siglas que serviriam para um estudo mais aprofundado, mas foi destruída quando a igreja foi demolida. Os poveiros escreviam a sua sigla na mesa da Igreja Matriz quando se casavam, como forma a registar o evento.

As siglas eram passadas do pai para o filho mais novo, já que na tradição poveira que ainda perdura, o herdeiro da família é o filho mais novo tal como na antiga Bretanha e Dinamarca; aos outros filhos eram dadas a mesma sigla mas com traços, chamados de «pique». Assim, o filho mais velho tem um pique, o segundo dois, e por ai em diante, até ao filho mais novo que não teria nenhum pique, herdando assim o mesmo símbolo que o seu pai. O filho mais novo é o herdeiro da família, pois era esperado que tomasse conta dos seus pais quando estes se tornassem idosos. Também, e ao contrário do resto do país, é a mulher que governa e dirige a família - este matriarcado radica no facto de o homem estar normalmente a pescar no mar, sendo muito provavelmente uma reminiscência de costumes matrilocais muito antigos.


publicado por Cidade Para Todos às 23:34
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*Artesanato*

Camisolas Poveiras

Camisolas de lã branca, bordadas em ponto de cruz com motivos em preto e vermelho (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc.), produzidas por dezenas de artesãs poveiras que destinam a sua produção às casas de artigos regionais.

"A camisola poveira era inicialmente [1ª metade do século XIX] feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e, depois feita e bordada na Póvoa." (1)
Esta peça integrava o traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro, cuja origem remonta ao primeiro quarteirão do século XIX. Este traje branco ou de branqueta (tecido manual) foi o que mais perdurou, mantendo-se até finais do século passado, sendo sempre o traje escolhido aquando da presença de elementos da comunidade junto das mais altas individualidades políticas.
Com a grande tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892, o luto decretou a sentença de morte deste traje branco, assim como de outros trajes garridos. A camisola sobreviveu, ainda, pela primeira metade deste século, mantendo-se como peça de luxo de velhos e novos.
A recuperação do vistoso e original traje branco deveu-se a Santos Graça que, ao organizar o Grupo Folclórico Poveiro, em 1936, o ressuscitou e divulgou.

"Hoje, na classe piscatória já não se vislumbra qualquer vestígio do modo de trajar antigo. Nem mesmo essas camisolas poveiras (...) traduzem uma realidade actual." (2) A produção existente destina-se a lojas de recordações turísticas.

(1) COSTA, Maria Glória Martins da - " O traje poveiro", In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol. 19 (1980), p. 208-213
(2) AREIAS, Mário - "O trajo poveiro numa carta de António Santos Graça" , In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol.8, nº2 (1969), p.171-181

Tapetes de Beiriz

Manufacturados em teares de madeira, extremamente rústicos, os tapetes de lãs cortadas, trabalhadas nos pontos que os tornaram celebres (o "ponto de Beiriz", o "ponto estrela" e o "ponto zagal"), apresentam desenhos originais com flores como tema predominante. As mulheres, no tear, "cantam" as cores dos cartões e, com uma perícia notável criam modelos de tapeçaria fina que fazem do tapete de Beiriz um excelente embaixador do artesanato do concelho. Para além do primor de execução e acabamentos, os tapetes de Beiriz têm como característica única o facto de o seu desenho poder ser visto pelo avesso.

A história do tapete de Beiriz remonta a um passado relativamente recente. Data do 1º quartel deste século e foi ideia de Hilda d Almeida Brandão Rodrigues Miranda, nascida em 1892 na cidade da Baía e falecida em 1949, em Beiriz, onde constituiu, primeiro, uma pequena oficina e depois uma "fábrica" em conjunto com uma ajudante, Rita Conceição Campos. Começaram, assim, a produção de tapeçarias que enriqueceram com o ponto por elas inventado, o "nó de Beiriz", que se tornaria famoso. Após a morte da fundadora o fabrico manteve-se em mão de familiares mas a fábrica viria a falir em 1974.
Graças à perseverança do casal José Ferreira / Heidi Hannamann Ferreira, em 1988 recomeçou a produção de tapetes de Beiriz, tendo-se recrutado as artesãs da antiga fábrica. Evitou-se, assim, o desaparecimento desta técnica, o que representaria uma perda inestimável para o artesanato local e nacional.

Tapetes de Trapo

Forma de artesanato que ainda se mantém bem viva e em constante evolução, integrando novos materiais como, por exemplo, o couro. Presente em quase todo o concelho, é nas freguesias de Terroso e Laundos que se apresenta com maior incidência.

Utiliza como matéria-prima vários tecidos que as artesãs cortam em tiras estreitas. A tecelagem "não acusa quaisquer particularidades especiais, (...). Merece especial referência, contudo, a maneira como se obtém a decoração, (...) [que] consiste no decorado da trama - os puxados -".(1) Desta técnica e da rica combinação de cores obtém-se belos produtos.
Actividade estreitamente ligada à população agrícola (tradicionalmente o tear era um elemento presente em casa de quase todos os lavradores) ainda hoje sobrevive nas freguesias rurais do concelho. Podem-se definir duas formas de produção. "1) Pequenos produtores-empresários, que possuem vários teares, instalados na própria casa de habitação ou espalhados por diversas casas de tecedeiras, nos quais estas trabalham regularmente por tarefa, (...); e 2) Produtores individuais, possuidores de um tear, que, à margem dos trabalhos prioritários, geralmente agrícolas, exercem uma actividade têxtil que visa a satisfação das necessidades do agregado familiar,..." (2)
(1) PEREIRA, Benjamin Enes - "A tecelagem manual em Terroso", In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol.10, nº2 (1971), p.239-262
(2) Idem


Trabalhos em Linho

Outrora comum a quase todo o concelho, actualmente, confina-se quase unicamente a Rates, freguesia rural que se situa na zona mais interior do concelho e é das que mais influências minhotas sofre. O cultivo da planta de 2 em 2 anos fornece a matéria-prima a cerca de 15 artesãs. Através de cursos de formação as gerações mais novas recebem o testemunho das técnicas tradicionais de tratamento e tecelagem do linho. A organização de todo o processo (desde o cultivo à tecelagem e venda do produto) cabe ao Centro de Artesanato Local.

O reactivar desta tradição veio reforçar a identidade cultural e proporcionar o trabalho colectivo, à laia do que sucedia nos serões de antigamente.

Perde-se no tempo a origem do tear e da tecelagem. No concelho da Póvoa de Varzim sempre se manteve como actividade estreitamente ligada às gentes do campo. O tratamento e tecelagem do linho, matéria nobre por excelência, foi ocupação de muitas gerações de mulheres que com ele prepararam os seus enxovais e contribuíram para o orçamento familiar.

Coisas do Mar

 

Numa terra com tão fortes ligações ao mar é natural o aparecimento deste tipo de artesanato, reminiscência dos pacientes e engenhosos trabalhos a que os pescadores se dedicavam nas suas horas de ócio, como as construções dentro de garrafas.
Actualmente é uma expressão do artesanato dito "urbano" sendo relativamente fácil encontrá-lo em algumas lojas da cidade.

Miniaturas de Embarcações

É a vontade de utilizar de forma proveitosa o tempo, que leva alguns homens, por vezes já retirados da azáfama da pesca, a construir réplicas em miniatura das embarcações onde, muitas vezes, foram eles próprios protagonistas de emoções fortes. Aproveitam a sua habilidade manual e conhecimentos de construção naval para continuarem a celebrar a ligação com o mar.

 





 


publicado por Cidade Para Todos às 23:28
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*Lendas e Crenças*

Lendas e Crenças

S. Pedro de Rates - Entre a Lenda e a Tradição; A Propósito do Morto Vivo; Uma Fonte... Uma Moura...

S. Pedro de Rates - Entre a Lenda e a Tradição
Conta a tradição que S. Pedro de Rates foi convertido ao Cristianismo pelo Apóstolo S. Tiago, aquando da sua peregrinação pela Hispânica, no século I. Durante essa viagem, cumprindo a missão de difundir a mensagem de Cristo, morto e ressuscitado havia pouco tempo, foi deixando sementes que germinaram e fortaleceram as raízes da Igreja Católica Apostólica Romana, num império hostil à nova Fé. Pedro seria um dos 7 varões ordenados pelo Apóstolo, em Santiago de Compostela, e nomeado bispo de Braga.
Na lenda, o episódio que fez dele um mártir teve origem num milagre: solicitado para curar de doença fatal a filha de um poderoso pagão, S. Pedro de Rates conseguiu-lhe tal dádiva. Reconhecida, converteu-se ao Cristianismo, o que causou a ira do pai e consequente desejo de vingança. Avisado, o Santo refugiou-se em Rates, mas foi aí encontrado e assassinado. Ficou sepultado sob as ruínas da pequena capela onde tudo aconteceu, pois, à semelhança da vida do religioso, também foi destruída.
Tempos mais tarde, do alto do monte onde se refugiara, o eremita S. Félix vislumbrava uma luz na escuridão. Guiado pela curiosidade e pela convicção de um chamamento piedoso. Dirigiu-se ao local, procedeu à remoção das pedras e encontrou a causa de tal clarão: o corpo de S. Pedro de Rates.
A transladação do corpo intacto para a Sé de Braga faz, também, parte da lenda. Os factores reportam-se somente à transferência, no século XVI, pelo arcebispo Frei Baltazar Limpo, de relíquias do Santo (pequenos ossos que análises realizadas apontam ter pertencido a uma criança com cerca de 12 anos). O corpo, se alguma vez existiu, teria já desaparecido.
Muito devoto do seu Santo, a vila de Rates colocou-se sob o seu cuidado. Nos limites definidos pelo caminho do cerco ele vela para que nem fome, nem peste, nem a guerra toquem nos seus protegidos. Para tal pode contar com o apoio de S. Sebastião, que é igualmente celebrado pela paróquia, a 20 de Janeiro.
Invocado para muitas graças, S. Pedro de Rates é, no entanto, associado à esterilidade. De uma antiga fonte com o seu nome diz-se que se poderia obter a cura da enfermidade, cumprindo o seguinte ritual: a mulher deveria sentar-se sobre uma pedra furada que aí existia. Talvez por ser mercê tão divina, tem o Santo fama de vingativo para com quem não cumpre o prometido. É, provavelmente por receio desse “humor”, que muitas mulheres grávidas guardam o dia do Santo – 26 de Abril – e até para os animais fêmeas no mesmo estado não é aconselhável a utilização nos trabalhos. Qual a base histórica desta lenda? A desmontagem pode fazer-se logo ao primeiro nível: são grandes as dúvidas sobre a peregrinação de S. Tiago à Península. Logo depois prova-se que a evangelização de Braga é posterior a meados do século I. Por outro lado, este culto não consta em nenhum dos numerosos livros litúrgicos bracarenses anteriores a 1511. A história aparece pela primeira vez nesta altura, num breviário e missal publicado pelo arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa.
Será que não existem fundamentos reais para toda esta lenda fabulosa? A análise do contexto em que ela surge poderá fornecer alguma pista? No século XVI, a diocese de Braga continuava a sua querela com Toledo sobre a primazia ibérica, daí a “grande preocupação em canonizar S. Pedro de Rates, que era identificado como primeiro bispo bracarense e sagrado por S. Tiago Apóstolo. Deste modo queria provar que a Igreja Bracarense vinha do tempo apostólico. Para isso, forjou-se a descoberta do seu corpo pelo eremita e um célebre Dr. Lousada fabricou diversos documentos falsos, como sendo de séculos anterior.” (1)
Então tudo isto foi inventado do nada? Existiu algum Santo com ligações à vila de Rates? É ao P.e Avelino de Jesus Costa que se deve o esclarecimento deste imbróglio. De facto existiu um Pedro, bispo de Braga, que morreu em Rates. Este seria não o primeiro eleito para a cátedra bracarense mas sim o restaurador da diocese, aquando da reconquista cristã. A coincidência do nome possibilitava a confusão. O Bispo D. Pedro (1070-1091), o restaurador, morreu com fama de santidade num mosteiro dos limites da sua diocese. Esse mosteiro seria, muito provavelmente, o de Rates.

A Propósito do «Morto Vivo»
No passado dia 15 de Agosto foi notícia a interdição do habitual cumprimento de promessa a Nossa Senhora Aparecida, em Lousada, designada por “Morto Vivo”. Esta prática também se realizou na freguesia de Laundos em honra de Nossa Senhora da Saúde. Foi no não muito distante ano de 1978 que tal aconteceu pela última vez.

Este ritual simboliza a cura, a “graça” concedida pela Senhora. No momento em que o miraculado é colocado frente à imagem, “renasce”, levantando-se do caixão onde jazia. Para além de tal aspecto, “Os fiéis que procedem a este rito (...), praticam também o que poderia chamar-se uma iniciação à morte, a fim de lhe perderem o medo”(1).
O desaparecimento destas práticas insere-se num processo, já milenar, desencadeado pela Igreja Católica, visando “Extirpar das festas religiosas” todo e qualquer elemento ‘profano’ (...), a grande arma do Arcebispos, no desenrolar desta luta, foram ao ‘interditos e proibições’ que lançaram às comissões e confrarias e até mesmo a pessoas particulares por estas desobedecerem às normas estabelecidas para bem realizar uma festa religiosa”(2). É um verdadeiro confronto entre “religião popular” e a religião pelo povo designada “dos padres” e que tem conhecido vitórias e derrotas para a hierarquia eclesiástica. Em muitos casos ela foi “obrigada” a integrar aspectos profanos, vestindo-os com outras roupagens.
O Santuário da Nossa Senhora da Saúde foi, e é, ponto de confluência de gentes das redondezas mais ou menos distantes. É forte a devoção, quer dos camponeses quer dos pescadores poveiros e vilacondenses. Esta unidade no culto compreende-se facilmente se atendermos que está em jogo um “bem” primordial – a Saúde – e, por outro lado, considerando que para os pescadores em causa, quando estão no mar, a Nossa Senhora da Saúde tem significado especial: o santuário encontra-se no sopé do monte que lhes serve de guia e lhes indica a proximidade do lar.
A romaria a Nossa Senhora da Saúde era extremamente concorrida e conhecida pelos folguedos que, por vezes, acabavam em pancadaria. A plena consciência, por parte da Igreja, de que “nem sempre estas (romarias e peregrinações) são compreendidas única e exclusivamente por motivos religiosos, mas quando principalmente com outros fins, como recrear o espírito, visitar cidades, cultivar as ciências e as artes” (3), levou a que, em 1936, a Congregação do Concílio decretasse que as peregrinações deveriam ter sempre um “carácter verdadeiramente religioso” e o direito de as promover e dirigir caberia unicamente à autoridade eclesiástica. Neste contexto, em 1946, o Monsenhor Pires Quesado organizou pela primeira vez a peregrinação anual, em Maio. Esta acabou por se sobrepor à romaria, cativando grande número de aderentes. Os crentes tinham a possibilidade de venerar a Senhora, sem cair em exageros e profanação. Cumpridos os deveres religiosos, ficavam bastante reduzidos os pretextos para a ida à festa.
A extinção destes rituais reflecte não só a oposição da Igreja, mas também o desaparecimento rápido da sociedade tradicional, onde tinham uma função social a cumprir.

Mª Jesus
(1) Espírito Santo, Moisés – A Religião Popular Portuguesa, 2ª ed. , Lisboa, Assírio e Alvim, 1990, p. 139.

(2) Costa, Joaquim Carneiro – Festas Religiosas Estudo na “Acção Católica” (1916-1988), in “Cenáculo”, Braga, vol. 31, nº 120, 1992, p. 12/92.
(3) Costa, Joaquim Carneiro – Idem, p. 23/103.

Uma Fonte... Uma Moura...
Tal como acontece a muitas fontes, rochedos, grutas, ruínas, etc., também à Fonte do Crasto, em Navais, anda associada a tradição da Moura Encantada. Situada a nascente da Estrada Nacional nº 13, esta construção foi durante séculos o único ponto de abastecimento de água do lugar. Demitida desta ancestral função viu-se duplamente penalizada; sofreu o abandono “físico” e até o esquecimento no imaginário popular da memória concreta da lenda a ela associada. Hoje para a maioria das suas gentes a recordação da Moura Encantada* é muito ténue, a exemplo destes versos cantados pelo Grupo Folclórico de Navais:
“No tempo dos meus avós
Já a minha avó me contava
Que havia lá um tesouro
E uma moura encantada”
Implacáveis, os Tempos Modernos “mataram” a Moura ferindo-a na sua própria essência, foi apagada do Maravilhoso Popular, do qual era uma das mais poéticas criações. Agora só lhe resta trocar de refúgio, recolhendo-se às páginas dos livros.
A nível nacional era grande a variedade de relatos: um dos mais característicos era o do homem abordado por sedutora mulher de longos cabelos dourados que lhe propunha a passagem, no dia seguinte, para contactos eróticos em troca de objectos preciosos por ela guardados. Se o interpelado acedesse ao convite encontraria uma cobra a quem deveria beijar. Como a quebra do compromisso ou o medo no momento parecia afectar todos os “candidatos a desencantadores de Mouras” as fabulosas riquezas continuavam uma miragem inalcançável. A Moura Encantada assumia, portanto, duas formas: a de cobra e a de gentil donzela que prometia tesouros e riquezas inesgotáveis àquele que lhe quebrasse o fadário.
A esta lenda andam associadas, sobretudo, duas vertentes: a de divindade ou génio feminino das águas (fontes, rios, ribeiros, poços, etc.) e a de guardadora de tesouros encantados. Uma particularidade interessante era a sua paixão pelo leite, o que se explica pela confusão entre as mouras e as cobras, sob cuja forma apareciam. Está “arreigado no nosso povo a crença de que quando há uma criança de mama que está magra, é porque de noite uma cobra vem mamar no peito da mãe, metendo o rabo na boca da criança para a enganar. Também se crê que para apanhar uma cobra basta colocar no sítio onde ela costuma aparecer, um alguidar de leite” (1). Outro elemento curioso era o que supostamente ocorria na noite e madrugada de S. João, momento em que a moura se libertava e, em figura humana, vinha pentear os seus cabelos de ouro.
Para os etnógrafos a esta lenda caberia a função de sacralizar a terra e o trabalho agrícola. A Moura personifica a Mãe Terra e a cobra apresentada como um animal solidário da mulher. Da combinação destas duas simbologias resultaria a valorização do trabalho agrícola (as riquezas douradas da Moura eram ancinhos, cavalos, bois, etc.) e revelar-se-ia o poder da mulher na agricultura.
A identificação de “Moura” como feminino de mouro é errónea. Convém lembrar que os muçulmanos nunca chegaram a dominar o norte do país e era precisamente aquique mais se encontrava implantado este mito. A origem, embora difícil de determinar com segurança, deve-se procurara noutra área: Moira (termo grego) era o nome dado às deusas tecedeiras. Também se pode aproximar a palavra moira de Mairas, dos antigos Germanos, ou ainda de Morgana ou Muriguen, deusa celta.

Mª Jesus
(1) Pedroso, Consiglieri – Contribuições para uma mitologia popular portuguesa e outros escritos etnográficos, Lisboa, Dom Quixote, 1988, p. 223


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*Festas Populares e Religiosas*

Principais Festas Populares e Religiosas do Concelho

FEVEREIRO

Dia 02 — Festa de Nossa Senhora das Candeias (Terroso)

Dia 04 — Festas de S. Brás (Regufe)

MARÇO

Dia 18 — Procissão dos Passos (Amorim)

Dia 25 — Procissão dos Passos (Póvoa de Varzim)

ABRIL

Dia 01 — Procissão dos Passos (Rates)
Estas procissões constituem a «Trilogia» preparatória da Semana Santa que, rivalizando entre si na solenidade, reflecte o forte sentimento religioso que se vive no concelho

De 01 a 08 — Semana Santa

Dia 15 — Festa do Senhor do Bom Sucesso (Argivai)

MAIO

Dia 20 — Festa do Senhor dos Milagres (Argivai)

Dia 27 — Peregrinação de Nossa Srª da Saúde (Laundos)

 

JUNHO

Dias 02 a 04 — Festas de S.Gonçalo (Beiriz)

Dia 07 — Procissão do Corpo de Deus (Rates)
Antes do cortejo religioso é possível admirar os tapetes feitos exclusivamente de flores que ornamentam as ruas. A sua execução deve-se a comissões de moradores das diferentes zonas que, animados por sadia rivalidade, «tecem» as pétalas em desenhos plenos de cor e beleza.

Dia 07 — Procissão do Corpo de Deus (Póvoa de Varzim)

Dia 10 — Festa da Nossa Senhora do Desterro (Póvoa de Varzim)
Ao longo do percurso a Procissão vai calcorreando ruas ricamente decoradas de tapetes floridos.

Dias 12 e 13 — Festas de Santo António (Póvoa – Cidral; Amorim e Rates)

De 25 Junho a 02 de Julho — Festa de S. Pedro

 

JULHO

Dia 30 — Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem (Aguçadoura)

AGOSTO

Dia 06 — Romaria de Nossa Senhora da Saúde (Laundos)

Dia 06 — Festa de Nossa Senhora das Neves (Aver-o-Mar)

Dia 15 — Festa de Nossa Senhora da Assunção (Póvoa de Varzim)

Semana do dia 15 — Feira de Nossa Senhora da Assunção

 

SETEMBRO

Dia 03 — Festas de S. Félix (Laundos)

De 14 a 19 — Festa de Nossa Senhora das Dores (Póvoa de Varzim)

Dia 17— Procissão de Nossa Senhora das Dores

3ª e 4ª semanas — Feira de Nossa Senhora das Dores

OUTUBRO

Dia 08 — Festa de Nossa Senhora do Rosário (Póvoa de Varzim)

 

NOVEMBRO

Dia 30 — Festa de Santo André (Aver-o-Mar)

DEZEMBRO

Dia 08 — Festa de Nossa Senhora da Conceição do Castelo (Póvoa de Varzim)

Dia 13 — Festa de St ª  Luzia (Navais)

S. Pedro

Em 1962, por iniciativa da Comissão Municipal de Turismo, iniciou-se o percurso das Festas de S. Pedro na Póvoa de Varzim, entretanto adoptadas como FESTAS DA CIDADE. Em pouco tempo tornaram-se uma imagem de marca para a Póvoa, de tal forma que, em 1974, por deliberação da autarquia, o dia 29 de Junho passou a constituir feriado municipal.
As festividades de S. Pedro correspondem a uma semana de espectacular animação, em que toda a Póvoa sai para a rua. O momento por excelência é o da «noitada» de 28 para 29 de Junho, em que se canta, dança e comem sardinhas assadas à volta das fogueiras, num ambiente onde, rapidamente, se passa do estatuto de desconhecido a conviva cúmplice nos folguedos da noite. Os protagonistas da festa são os vários bairros da cidade que, coordenados pela Câmara Municipal, preparam os tronos e as actuações das rusgas.

As rusgas vão para a rua na noite do santo com as cores do bairro, ao compasso de música característica, trajes locais e uma multidão de adeptos a acompanhá-las na visita, nem sempre pacífica, aos bairros vizinhos. Os três primitivos bairros e os mais competitivos são a Matriz, o Norte e o Sul. Os outros três, Regufe, Mariadeira e Belém, embora trabalhem com o mesmo entusiasmo e se empenhem com a mesma dose de «bairrismo», são um pouco menos abrangentes. No dia 29, as rusgas reúnem-se no palco da Praça de Touros da Póvoa de Varzim, com a lotação sempre esgotada, para uma exibição conjunta, constituindo este um espectáculo de cor e beleza únicas.
Todos os bairros, nos seus pontos centrais, apresentam um trono dedicado ao santo, feito no maior sigilo e quase sempre de notável concepção artística, que é motivo de «peregrinação» dos visitantes. Estes tronos são imaginados meses antes e construídos apenas na noite antes da grande «noitada», para não serem copiados.
De grande apego ao santinho pescador, o poveiro dedica-lhe uma majestosa procissão – a Procissão dos Santos Populares – na tarde do dia 29, feriado municipal.
A procissão sai da Igreja Matriz e recolhe na Igreja da Lapa, e nela são incorporados três santos populares queridos dos poveiros – Santo António, São João e São Pedro.
No período correspondente às Festas da Cidade realizam-se inúmeras iniciativas de cariz desportivo, cultural e outros, das quais se pode destacar, pela sua graciosidade e peculiaridade, o S. Pedro da Pequenada, preparado com a colaboração dos Jardins de Infância do concelho, onde se pretende reproduzir, tanto nos trajes como na vivência, as verdadeiras rugas do S. Pedro poveiro.



 

Data e local de realização: 25 de Junho a 2 de Julho de 2006 (29 de Junho – Feriado Municipal) - Póvoa de Varzim


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*Poveiros Ilustres*

Poveiros ilustres

António Augusto da Rocha Peixoto; António dos Santos Graça; Caetano Vasques Calafate; Eça de Queirós; Elísio Martins da Nova; Flávio Gonçalves; Francisco Gomes de Amorim; João Martins Areias (Patrão Sérgio); José Rodrigues Maio (Cego do Maio); Manuel António Ferreira (Patrão Lagoa); Tomé de Sousa;

 

António Augusto da Rocha Peixoto
Nasceu na Póvoa de Varzim em 18/05/1866 e faleceu em Matosinhos a 02/05/1909.
Naturalista, etnólogo e arqueólogo, foi uma das figuras marcantes na vida cultural portuguesa na transição do século XIX para o nosso século. Em 1891 secretaria a "Revista de Portugal" fundada por Eça de Queiroz e onde já colaborava. Organizou o Gabinete de Mineralogia, Geologia e Paleontologia da Academia Politécnica do Porto. Colaborou nos jornais "O Século" e "O Primeiro de Janeiro" e em 1889, como redactor-chefe, é um dos impulsionadores da revista "Portugália", conhecida pela sua alta erudição nos domínios da arqueologia, da história, da antropologia e da etnografia. Foi director da Biblioteca Pública e Museu Municipal do Porto.
Obras principais: "Museu Municipal do Porto - História Natural" (1888), "Contribuições Para a Etnografia Portuguesa" (1889), "Produtos Agrícolas das Colónias Portuguesas" (1895), "As Olarias de Prado" (1900), "Os Cataventos" (1907) e "As Filigranas" (1908).
A pedido da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim o corpo do cientista foi transferido do cemitério de Agramonte (Porto) para o da desta cidade a 16 de Maio de 1909. A mesma autarquia, no Centenário do seu nascimento, iniciou a publicação das suas obras completas.

 

António dos Santos Graça
Nasceu na Póvoa de Varzim em 16/01/1882 e faleceu em 07/09/1956.
Jornalista, etnógrafo e político, fundou em 1904 o semanário "O Comércio da Póvoa de Varzim" que dirigiu até 1924, data em que dá início à publicação sob a sua direcção do jornal "O Progresso". Estudioso das tradições populares, usos e costumes da comunidade marítima, fundou em 1937, e dirigiu até à sua morte, o Museu Municipal de Etnografia e História. Foi dirigente político tendo ocupado diversos cargos públicos entre os quais os de deputado e de senador.
Obras principais: "O Poveiro" (1932), "A Crença do Poveiro nas Almas Penadas" (1934), "A Canção do Berço" (1945), "A Epopeia dos Humildes" (1952).

Caetano Vasques Calafate


 

Nasceu na Póvoa de Varzim em 12/05/1890 e faleceu em 04/12/1963.
Professor, escritor e jornalista, dedicou grande parte da sua vida à luta pela defesa intransigente dos interesse e anseios da classe piscatória, trabalhando sem desfalecimento, sustentando na imprensa diária de Lisboa e Porto e nos jornais locais uma intensa campanha pela construção do porto de pesca da Póvoa de Varzim.
Orientou e impulsionou o trabalho de propaganda e angariação de fundos para a construção da Casa dos Pescadores da Póvoa de Varzim (1926), a primeira do país.
Obras principais: "Moral e Religião " (1920), "Acção Social do Carácter" (1922), "A Vocação Colonizadora dos Portugueses" (1961) e "Verbo, Vigor e Acção" (1966).

Eça de Queirós
Genial escritor, nascido na Póvoa de Varzim a 25/11/1845 faleceu em Paris em 1900. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi jornalista, exerceu a advocacia e por fim ingressou na carreira diplomática tendo servido em Havana, Newcastel, Bristol e Paris.
Figura proeminente do Realismo em Portugal, pertenceu ao grupo "Os Vencidos da Vida", sendo a sua prosa caracterizada por uma inexcedível plasticidade de linguagem e uma clareza, elegância e musicalidade que o colocam entre os primeiros estilistas do idioma. A influência da sua obra tem sido extensa na literatura portuguesa e sul-americana, sendo na actualidade conhecido como um mestre e grande escritor universal.
A sua obra encontra-se traduzida em castelhano, francês, inglês, alemão, italiano, russo, checo, polaco e norueguês.
Obras principais: "O Crime do Padre Amaro" (1875), "O Primo Basílio" (1878), "A Relíquia" (1887), "Os Maias" (1888), "A Ilustre Casa de Ramires" (1900), "A Cidade e as Serras" (1901).
Como corolário da atenção que é votada a tão ilustre figura das letras foi erigido em 1952, na Praça do Almada, um monumento da autoria do escultor Leopoldo de Almeida por subscrição dos poveiros do Brasil.
Em 1988 foi editado um Álbum de Litografias sobre Eça de Queirós que pode ser adquirido na Câmara Municipal.

Elísio Martins da Nova
Nasceu na Póvoa de Varzim, em 29/08/1896, e foi morto a bordo do caça minas "Augusto de Castilho", ao largo dos Açores em 14/10/1918.
Radiotelegrafista da Armada que estando embarcado no caça minas "Augusto de Castilho", durante a primeira guerra mundial deu provas de bravura no combate travado em 14 de Outubro de 1918 entre este navio e o submarino alemão V139, morrendo no seu posto (...)".
Elísio da Nova é para nós um símbolo de coragem e abnegação, cuja origem mergulha na vida dos seus irmãos pescadores, protagonistas da "história trágico marítima dos poveiros".

Flávio Gonçalves
Brilhante homem das Artes e das Letras, nasceu na Póvoa de Varzim, na casa do farol de Regufe, no dia 12 de Fevereiro de 1929 e faleceu no Porto a 19 de Maio de 1987, com 58 anos de idade.
Licenciado em Ciência Histórico-Filosóficas, leccionou no ensino secundário e, posteriormente, nas faculdades de Belas Artes e de Letras, do Porto, onde foi professor de História Geral da Arte em Portugal.
Homem viajado e de vastos horizontes, dedicou a sua vida a estudos bastante diversificados mas tendo a Arte como tema central. A sua obra científica impressa está espalhada por muitas publicações nacionais e estrangeiras, mas também teve tempo para dar espaço à sua alma poética, tendo mesmo editando dois livros: "Arco de Passagem" (1954) e "Mãos de Lis" (1955).
Para além de toda a sua dedicação à Póvoa há a realçar o inestimável trabalho por ele desenvolvido como director do boletim cultural "Póvoa de Varzim", direcção essa assumida em 1964 e que se manteve até à sua morte. A publicação concebida por Fernando Barbosa e da qual só haviam saído os volumes correspondestes a 1958 e 1959, assumiu-se como o mais importante depositário da história da Póvoa de Varzim e seu concelho.

Francisco Gomes de Amorim
Nasceu em Aver-O-Mar em 13/08/1827 e faleceu em Lisboa em 04/11/1891. Poeta e dramaturgo, emigrou para o Brasil onde exerceu a profissão de caixeiro. Regressando a Portugal com o auxílio e estímulo de Almeida Garrett, de quem foi amigo e confidente, exerceu outras profissões até lhe ser confiado o cargo de conservador da Biblioteca e do Museu de Antiguidades Navais.
Obras principais: "Ódio de Raça", "Aleijões Sociais", "Contos Matutinos" (1858), "Efémeros" (1866) e "Memórias Biográficas de Garrett" (1881-84).
Na casa onde nasceu, ainda conservada, foi inaugurada uma placa comemorativa por altura do Centenário da sua morte, testemunho da homenagem da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

João Martins Areias (Patrão Sérgio)
Nasceu na Póvoa de Varzim em 24/01/1846 e faleceu em 14/04/1911.
Pescador heróico, Patrão do salva-vidas, filho de mestres lanchões, herdou do pai, sucessor do Cego do Maio, as qualidades de mestria e coragem que haveriam de tornar conhecido em todo o país este Lobo do Mar. Mais de cem vidas foram salvas graças à sua teimosia e destemor.

 

José Rodrigues Maio (Cego do Maio)
Nasceu na Póvoa de Varzim em 08/10/1817 e faleceu em 13/11/1884.
Pescador, filho do povo, homem de grande coragem e abnegação, arriscou dezenas de vezes a sua vida para salvar a dos seus companheiros nos perigos das duras fainas do mar. As suas proezas tornaram-se lendárias, tendo sido galardoado com a medalha de ouro da Real Sociedade Humanitária do Porto e com a mais alta condecoração do Estado, o Colar de Cavaleiro da Ordem de S. Tiago da Torre e Espada, colocadas pelo Rei D. Luís I, na presença da família real.
A colónia poveira no Brasil, com a colaboração do Clube Naval Povoense, erigiu no Passeio Alegre um monumento em sua homenagem, de autoria do escultor portuense Romão Júnior, inaugurado em 29/08/1909.

 

Manuel António Ferreira (Patrão Lagoa)
Nasceu na Póvoa de Varzim a 14/06/1866 e faleceu em 07/07/1919.
Pescador destemido, verdadeiro herói, notabilizou-se nas operações de salvamento do navio da Armada portuguesa "S. Rafael", naufragado na Foz do Ave em 20/11/1911 e dos passageiros e tripulantes do vapor inglês "Veronese", encalhado nos penedos da Boa Nova, ao norte de Leixões, em 16/01/1913. Foi Patrão do salva-vidas, intervindo e colaborando em centenas de salvamentos na enseada poveira.


Tomé de Sousa

Nasceu em Rates, em data que se desconhece e faleceu em 1573. Figura notável da época dos descobrimentos, participou em expedições militares em África, no combate aos mouros, e comandou a nau "Conceição" da armada do capitão-mor Fernão de Andrade em viagem à Índia. Foi o primeiro governador-geral do Brasil, nomeado em 1548 por D. João II, tendo no ano seguinte chegado à Baía de Todos os Santos com uma comitiva de 1000 homens, entre colonos e degredados, empregados da nova administração que se ia criar, artífices, artilheiros, engenheiros e seis jesuítas dirigidos pelo célebre Manuel da Nóbrega, onde se iniciou a edificação e fortificação da cidade de S. Salvador. Deixou o Brasil em 1553, ficando nele perpetuada a primeira grande obra da colonização portuguesa.
De regresso foi nomeado vedor da fazenda.


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*Etimologia*

Etimologia

Varzim deriva do vocábulo romano-lusitano Euracini. A transformação foi-se operando ao longo dos séculos através de uma série de fenómenos linguísticos. Segundo o investigador da história local, Viriato Barbosa, Euracini "...era o senhor ou proprietário do solo em que hoje está situada, total ou parcialmente a Póvoa de Varzim".(1)

Ainda segundo o mesmo autor a sequência linguística terá sido a seguinte: EURACINI - o ditongo "EU", pela lei do menor esforço, tomou a forma "U"; URACINI - o "U" foi substituído pela consoante "V"; VRACINI - dá-se a interposição de uma vogal entre as duas consoantes; VERACINI - a consoante "C=S" surda, deixou o lugar à correspondente "Z" sonora; VERAZINI - a vogal doce "I", como a palavra tendia a sonorizar-se, caiu; VERAZIM - a vogal "E" transforma-se em "A"; VARAZIM - dá-se a queda do "A" da segunda sílaba VARZIM.
Por foral de D. Dinis de 1308 foi concedida graça e mercê aos habitantes do reguengo de "Varazim de Jusão" para que estes fizessem uma Póvoa.

(1) Barbosa, Viriato - A Póvoa de Varzim, 2.ª edição, Póvoa de Varzim, 1972


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